Visualizações desde 2005

terça-feira, 26 de maio de 2015

Carta de Monseñor Romero al presidente Jimmy Carter

Juan José Tamayo//////////////////////////////////////////////////////// Adital//////////////////////////////////////////////////////////////// Poco más de un de un mes antes de ser asesinado, al enterarse por la prensa nacional de que Estados Unidos estaba estudiando la posibilidad de enviar ayuda económica y militar a la Junta de Gobierno de El Salvador, Romero escribió una carta al presidente de Estados Unidos, Jimmy Carter, en la que le expresaba su preocupación por que el Gobierno de los Estados Unidos estuviera estudiando la manera de favorecer la carrera armamentística de El Salvador con el envío de equipos militares y asesores. Si tal información se confirmara, escribe Romero, la medida de Estados Unidos "en lugar de favorecer una mayor justicia y paz en El Salvador agudiza sin duda la injusticia y la represión contra el pueblo organizado que muchas veces ha estado luchando por que se respeten sus derechos humanos más fundamentales”. El arzobispo de San Salvador acusaba a la Junta de Gobierno, las Fuerzas Armadas y los Cuerpos de Seguridad de El Salvador de que "solo han recurrido a la violencia represiva produciendo un saldo de muertos y heridos mucho mayor que los regímenes militares recién pasados”. Por eso pedía a Jimmy Carter que prohibiera dar dicha ayuda militar al Gobierno salvadoreño y que "su Gobierno no intervenga directa o indirectamente con presiones militares, económicas, diplomáticas, etc. en determinar el destino del pueblo salvadoreño”. Citando la Conferencia Episcopal Latinoamericana de Puebla, Romero consideraba deplorable e injusta la intromisión de potencias extranjeras en la trayectoria económica y política del país y reclamaba el derecho a la legítima autodeterminación. Dado su elevado nivel de concientización y organización, creía que el pueblo era el único capaz de superar la crisis en la que se encontraba el país y de asumir la gestión responsable del futuro de El Salvador. Numerosas fueron las muestras de solidaridad con la Carta que llegaron de diversos sectores del pueblo y de la Iglesia, entre ellos religiosas y sacerdotes que trabajaban pastoralmente en El Salvador y varios obispos latinoamericanos que expresaron a Romero su apoyo por dicho gesto de protesta, así como su solidaridad ante la destrucción de la emisora de la archidiócesis. La carta fue calificada de "devastadora” por un miembro del Gobierno de Estados Unidos. Calificativo que fue respondido por Romero diciendo que "no he querido devastar, sino simplemente, en nombre del pueblo, pedir lo que ya gracias a Dios parece ha hecho abrir los ojos a Estados Unidos”. Jimmy Carter le respondió con una larga misiva en la que justificaba su apoyo a la Junta porque "ofrece las mejores perspectivas” y afirmaba que "la mayor parte de la ayuda económica será en beneficio de los más necesitados”. No obstante, en la "ayuda militar, Estados Unidos reconoce desafortunadas actuaciones que ocasionalmente han tenido las Fuerzas Armadas en el pasado”. Y dirigiéndose a Romero Carter afirma: "Nos preocupa tanto como a Usted que no sea usado ese subsidio en forma represiva y que se trata de mantener el orden con un uso mínimo de fuerza letal”. La carta de Carter se refería a la necesidad de un ambiente menos beligerante y de menor confrontación y aseveraba que los Estados Unidos no interferirían en los asuntos internos de El Salvador. Mencionaba, además, la amenaza de guerra civil que presenta como alternativa a las reformas del Gobierno. Romero dio a conocer el contenido de la carta de Carter en la homilía del 16 de marzo de 1980 y también su valoración. Le parecía un juicio político discutible decir que la Junta de Gobierno de el salvador ofrecía mejores perspectivas. Sobre la injerencia de Estados Unidos en los asuntos de El Salvador, el comentario del arzobispo no podía ser más expresivo: "Esperamos que los hechos hablen mejor que las palabras”. Sobre la alternativa de guerra civil a las reformas de la Junta a la que se refería el Presidente estadounidense como amenaza, Romero creía que su tendencia era a crear psicosis, que no había que estar impresionados por una próxima guerra civil y que había otras alternativas racionales que era necesario buscar. Sobre la ayuda militar reclamaba una severa vigilancia "para que no redunde en represión de nuestro pueblo. Y esto es evidente porque la postura de la Fuerza Armada se ha ido, cada vez más, haciendo pro-oligárquica y brutalmente represiva”. La Carta de Monseñor Romero a Jimmy Carter demuestra que la denuncia profética del arzobispo de San Salvador no solo se dirigía al poder político, económico, militar y paramilitar de su país, sino que apuntaba al corazón mismo del Imperio norteamericano en la persona de su Presidente. /////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////Juan José Tamayo Director de la Cátedra de Teología y Ciencias de las Religiones "Ignacio Ellacuría” de la Universidad Carlos III de Madrid y director de la obra colectiva "San Romero de América, Mártir de la Justicia” (Tirant Lo Blanch, València, 2015)

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Seminário Nacional sobre o Haiti: construindo solidariedade


Seminário Nacional em solidariedade ao Haiti acontece nos próximos dias 22 e 23 em São Paulo Haitianos que vivem atualmente no Brasil, moradores dos complexos do Alemão e Maré, do Rio de Janeiro, movimentos sociais, sindicatos, organizações diversas, estarão presentes no Seminário Nacional Sobre o Haiti: Construindo Solidariedade, que acontecerá nos próximos dias 22 e 23 de maio em São Paulo. A atividade marca o rechaço pelos 10 anos de ocupação das tropas da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (Minustah) no país caribenho e intensifica as ações coletivas da Campanha Permanente de Solidariedade com o Haiti. A proposta deste seminário é ampliar a luta e fortalecer o posicionamento de que o Haiti não precisa de tropas para que sua população tenha sua soberania garantida. Para dar um contexto verídico e atual, o seminário contará com presença de haitianos vindos dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Acre e Amazonas, que darão seu depoimentos sobre aspectos políticos, sociais e econômicos do país. A ideia de fazer o seminário surgiu da necessidade de incorporar mais setores e organizações à Campanha para que as ações sejam mais incisivas, uma vez que desde que a Minustah ocupou o Haiti as denúncias de violações aos direitos humanos só aumentam, sem que as autoridades tomem as devidas providências pela retirada das tropas, que estão sob comando brasileiro. A presença de delegações de moradores dos complexos do Alemão e Maré, do Rio de Janeiro, será de extrema importância para a contribuição deste momento da Campanha e para entender o processo de militarização tanto no Haiti quanto o que vem se instalando nas favelas. Ao longo de todos estes anos de ocupação, o território haitiano também vem sendo usado como campo de treinamento para o exército brasileiro. O resultado disso são ações repressoras que se reproduzem nas favelas e comunidades brasileiras através das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Gisele Martins, comunicadora que mora na Maré, afirma que desde a implantação da UPP os/as moradores/as sofrem com vários tipos de violações aos seus direitos. Menciona também os casos de execuções feitas pelos policiais. “A UPP entrou aqui há um ano. São gastos exorbitantes para mantê-los na favela. Os dados da Polícia informam que nesse período foram 20 mortes, mas nós sabemos que esse número é bem maior. Há violações como invasão das casas, revistas constantes, mototaxistas são impedidos de trabalhar, precisamos pedir permissão da Polícia para fazer eventos que já fazem parte da nossa cultura de favela. Trata-se de uma criminalização da pobreza. Sem falar que eles atiram em qualquer horário, próximos de escolas, com moradores passando nas ruas”, fala Gisele. O Seminário surge, então, para aumentar o conhecimento sobre o contexto atual entre Haiti e Brasil, para que se possa avançar e fortalecer a campanha de forma unificada. Para ler a convocatória: http://www.jubileusul.org.br/nota/2834 Campanha de Solidariedade com o Haiti: http://www.jubileusul.org.br/temas/haiti Inscrições através do link: http://goo.gl/forms/HQu7QqYM9J (até o dia 18 de maio de 2015) Informações: secretaria@jubileusul.org.br Locais: Dia 22 de maio – Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530, 1º andar, República – São Paulo) Dia 23 de maio – Defensoria Pública do Estado de São Paulo (Rua Boa Vista, 200, auditório térreo – São Bento – São Paulo) Programação Dia 22/maio 14h Mística, apresentação dos participantes, apresentação dos objetivos. 1º momento: 14h30 - Análise de conjuntura política sobre o contexto em que se encontra o Haiti na nossa região da América Latina e Caribe (contexto de militarização) e como o Brasil está atuando na região. 2º momento: 16h30 – Depoimento dos migrantes Haitianos convidados (5 min cada – PR, SC, RS, AC e AM) e depoimentos de moradores do Alemão e da Maré (Rio de Janeiro). 17h - apresentação do documento que orientará a Campanha de Solidariedade com o Haiti 3º momento: 19h30 – Roda de Conversa com os migrantes haitianos – dividiremos o grupo em dois para fazer as conversas nos dois locais. Dia 23/maio 9h 4º momento: Retomada dos acordos do documento para a Construção da Campanha permanente de Solidariedade – Basta de Ocupação - e a construção coletiva dos eixos e objetivos da Campanha, das ações, passos, materiais e agenda/datas, incidência no governo – construir um documento/carta para ser entregue nessas incidências (audiências na Câmara dos Deputados Federais, Secretarias, Ministérios, etc.), além de estratégias para fortalecer a campanha no Brasil e América Latina. - Provocação inicial para o trabalho em grupos - Trabalho em Grupos - Plenária - Debate e encaminhamentos. Encerramento às 16h. Contato Imprensa: Rogéria Araújo – (85) 86838141 Francisco Vladimir – (85) 99697804

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

‘Santo’ popular na reta final de beatificação

Teologia da Libertação//////// 18.02.2015////// [ El Salvador ]////// Sergio Ferrari//////////// Adital///////////// Sergio Ferrari*///////////////////// Na primeira semana de fevereiro, o Vaticano anunciou a decisão de avançar, rapidamente, na beatificação do bispo salvadorenho Oscar Arnulfo Romero, dinamizando assim um processo interno da igreja iniciado em 1994. Esse anúncio foi interpretado como um sinal a mais do Papa Francisco de aproximação com a Igreja latino-americana comprometida, da qual Monsenhor Romero é uma das suas figuras emblemáticas. Em 24 de março de 1980, Monsenhor Romero foi assassinado quando celebrava uma missa na Capela do Hospital da Divina Providência, na capital de El Salvador. Era o momento da Eucaristia. "Que este Corpo imolado e este Sangue sacrificado pelos homens nos alimente também para dar o nosso corpo e nosso sangue pelo sofrimento e a dor, como Cristo, não para si, mas para dar conceitos de Justiça e de paz ao nosso povo…”. Nesse instante da alocução soou o disparo que atravessou seu coração, decretando a morte instantânea no mesmo altar onde ministrava. Mais de 30 anos depois, foi conhecida a identidade do assassino, um sub-sargento da extinta Guarda Nacional. Marino Samayor Acosta reconheceu que a ordem para o crime foi recebida do major Roberto d’Abuisson, um dos promotores dos esquadrões da morte e depois fundador do partido ARENA (Alianza Republicana Nacionalista) que gobernó el país durante veinte años até 2009. O impacto de matar um bispo "O assassinato de Monsenhor Romero teve uma repercussão enorme, na América Central, na América Latina, na Europa, no mundo inteiro. Não havia precedentes na história contemporênea de um atentado dessa natureza contra um alto prelado, assassinado justamente no momento da consagração”, explica o jornalista Jacques Berset. Berset, que durante anos foi o chefe de redação da Agência de Notícias Internacional Católica, com sede em Friburgo, Suíça, hoje, integra a equipe da Cath-Info. É um fino analista da realidade de El Salvador, país para onde tem realizado várias viagens. A primeira delas, em 1984, a última, em 2014, quando percorreu todas as dioceses do país. Os "dois” Romero O bispo de San Salvador – e vice-presidente da Conferência Episcopal – havia recebido várias ameaças desde o início de1977, quando, aos 60 anos, viveu uma transformação pessoal radical. Até então, se autoclassificava como conservador e não renegava de pertencer a uma linha eclesial tradicional. "Foi sempre um religioso honesto e próximo das pessoas. Contudo, o assassinato, em março de 1977, do sacerdote jesuíta Rutilio Grande, um íntimo amigo e estreito colaborador, operou como detonador de uma mudança profunda em sua postura”, assinala Berset. Rutilio Grande, identificado com a Teologia da Libertação, promovia na Paróquia de Aguilares as comunidades eclesiais de base e a organização dos camponeses da zona. Em apenas três anos, Romero foi assumindo posturas públicas que o levaram a enfrentar cada vez mais o gobierno da época e as forças armadas. "Paradoxicalmente, quando foi nomeado arcebispo de San Salvador, em 03 de fevereiro de 1977, a maioria do clero, com forte inserção na base e compromisso social, não ficou contente com sua nomeação. E foi a oligarquia salvadorenha que festejou sua nomeação”, destaca o jornalista da Cath-ch. Praticamente, em nenhuma homilia desses três últimos anos, faltou uma referência direta à situação política nacional e às vivências sofridas e cotidianas dos setores mais marginalizados, a base da sua igreja. "Lutar pelo reino de Deus…não é comunismo, não é se meter em política. É, simplesmente, o Evangelho que se reclama do homem, do cristião de hoje, mais compromisso com a história” ressaltava Romero em 16 de julho del 1977. Tornando-se porta-voz da defesa dos direitos humanos de sua comunidade. E seu tom foi, dia a dia, aumentando em intensidade. Até denunciar, abertamente, em fevereiro de 1980, a oligarquia, "que defende seus mesquinhos interesses…o controle do investimento, a agro-exportação e o monopólio da terra”. Ou interpelar, nesse mesmo mês, o então presidente dos Estados Unidos da América, James Carter, por sua política agressiva que "agrava a injustiça e a repressão contra o povo organizado”. A voz profética Mas foi, sem dúvida, a homilia do dia anterior ao seu assassinato, em 23 de março de 1980, a que exemplifica o nível de compromisso do prelado, segundo analisa Jacques Berset. Que recorda, textualmente, a ordem episcopal lançada pelo bispo: "Cesse à repressão! Eu quero fazer um chamamento muito especial aos homens do exército e, concretamente, às bases da Guarda Nacional, da polícia, dos quartéis. Irmãos, são do nosso mesmo povo, matam seus próprios irmãos camponeses…Nenhum soldado é obrigado a obedecer uma ordem contra a lei de Deus de "não matar”, exclamava Romero. Um grito profético pela desobediência civil em um momento de intensa guerra civil, que, após mais de uma década, culminaría, em 1992, com os Acordos de Paz de Chapultepec, deixando o terrível saldo de mais de 100 mil mortos, lembra Jacques Berset. Sua transformação de uma postura conservadora para a denúncia do poder político, econômico e militar. A força do seu testemunho e do seu compromisso. Em síntese, seu estilo de vida e a forma brutal da sua morte; a dor não dissimulada de centena de milhares de salvadorenhos e milhões de cristãos latino-americanos, constituem algumas das razões que explicam a notoriedade de Monsenhor Romero, explica Berset. Que destaca, entretanto, como o fato essencial, a "conversão rápida do bispo” que o converteu, ao morrer, em "São Romero das Américas”, segundo a terminologia popular. Um santo da rua a caminho agora da beatificação oficial pelo Vaticano. *Sergio Ferrari, swissinfo.ch em colaboração com E-CHANGER/COMUNDO Monsenhor Romero frente a um espelho "Não tenho medo de morrer, apenas certo temor prudente, mas não um medo que me iniba de trabalhar…Deus está comigo e se algo me acontecer estou disposto a tudo”. Foi uma das respostas premonitórias do bispo salvadorenho aos jornalistas suíços Otto Honegger e Oswald Item, que apenas cinco meses antes do seu assassinato o entrevistaram para realizar um filme documentário que ganharia logo o prêmio Unda Monte Carlo, em 1980. "Não creio que houve uma mudança substancial, mas bem uma evolução”, afirmou Monsenhor Romero, respondendo a outra pergunta que o interpelava sobre sua transformação pessoal. "De acordo com minha vocação, pretendi ser sempre fiel no serviço à Igreja e ao povo…” Para o bispo salvadorenho, sua nova sensibilidade foi produto, fundamentalmente, das circunstâncias violentas do contexto no qual devia atuar. "Quando cheguei ao arcebispado, estavam expulsando sacerdotes…Pouco tempo depois, mataram o padre Rutilio Grande… que não era só um colaborador, mas um exemplo de fidelidade até a morte. O impulso dele, por um lado, e a necessidade de defender uma igreja tão perseguida, até o assassinato de sacerdotes, me impulsionaram a uma pastoral com mais sentido de fortaleza em defesa dos direitos da igrela e do homem”, afirmou o bispo salvadorenho nesse já histórico filme.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

EUA: encíclica do Papa Francisco gera desconfiança entre conservadores

Estadão Conteúdo/////// Redação Folha Vitória /////////// Nova York - Movimentos conservadores e parte do clero dos Estados Unidos têm aumentado sua desconfiança sobre a postura do papa Francisco, cuja última novidade vem a ser o lançamento de uma encíclica defendendo a luta contra a mudança climática. O documento, usado tradicionalmente para os ensinamentos papais mais importantes, está sendo redigido há meses e terá como tema o meio ambiente. Francisco levantou o tema em sua viagem às Filipinas, onde disse o aquecimento global é, "em sua maioria", um feito do homem. Ele também afirmou que gostaria que sua encíclica fosse divulgada a tempo de ser digerida antes da próxima rodada das negociações climáticas das Nações Unidas, que acontecem em novembro, em Paris. Mesmo antes das últimas declarações, diversos conservadores norte-americanos já haviam criticado o tema da encíclica. "O papa Francisco, e digo isso como um católico, tem sido um completo desastre em seus pronunciamentos sobre políticas públicas", escreveu Steve Moore, economista-chefe do The Heritage Foundation, um think-thank conservador. "Na economia, e ainda mais no meio ambiente, ele tem se aliado com a ultra-esquerda e abraçado uma ideologia que fará as pessoas mais pobres e menos livres." Enquanto os papas João Paulo II e Bento XVI tinham forte posição em favor da proteção do meio ambiente, Francisco será o primeiro a enfrentar as mudanças climáticas de forma significativa. Ele já faz isso através de uma série de sermões, entrevistas e textos que têm desconcertado conservadores norte-americanos, acostumados a terem muitas de suas prioridades, aborto e casamento à frente, bastante ouvidas em Roma. "Em sua maior parte, são conservadores que criticaram outros pontífices no passado por discordar das instruções papais contidas em suas encíclicas", afirmou David Cloutier, teólogo da Universidade de St. Mary. "Eles têm medo que o documento irá fazer algo definitivo com o qual eles não concordam. Isso os coloca em uma posição bastante difícil", disse. As frequentes denúncias do papa contra o sistema financeiro global e outros temas levaram o radialista Rush Limbaugh a dizer que as posições econômicas de Francisco são "puro marxismo". O pontífice afirma que está simplesmente levantando ensinamentos da igreja sobre ajudar os pobres. A defesa de causas ambientais faz Francisco entrar em um tema bastante espinhoso nos Estados Unidos, e se colocar em larga medida do lado dos democratas, mais abertos a considerar o aquecimento global um problema causado pelo homem. Recentemente, o senador republicano James Inhofe, que já chamou o aquecimento global de "farsa", foi escolhido por seus colegas como presidente do Comitê do Meio Ambiente e da Infraestrutura. "O que os preocupa é a solução", afirma Anthony Leiserowitz, da universidade Yale. "As mudanças climáticas são um problema que exige ação coletiva. Vão precisar de mudanças nas políticas local, estadual, nacional e internacional", diz. Para o reverendo James Bretzke, da Universidade de Boston, o documento deve falar mais sobre temas espirituais e morais, como o cuidado para com as criações de Deus com os pobres, que são mais afetados pelas mudanças climáticas. Ele também deve urgir por mais cooperação global para resolver o problema. "O aquecimento global será aceito e sublinhado", afirmou Bretzke. "Acredito que a encíclica deva fazer insinuações éticas que podem deixar determinados setores desconfortáveis, de indústrias do primeiro mundo a economias emergentes como a China." O papa deve falar nas Nações Unidas em setembro, meses antes da conferência de Paris. Ele já instou os negociadores a serem "corajosos." Fonte: Associated Press.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Discurso do Santo Padre Francisco aos participantes do Encontro Mundial de Movimentos Populares

Bom dia de novo. Eu estou contente por estar no meio de vocês. Aliás, vou lhes fazer uma confidência: é a primeira vez que eu desço aqui [na Aula Velha do Sínodo], nunca tinha vindo.****************************************************** Como lhes dizia, tenho muita alegria e lhes dou calorosas boas-vindas. Obrigado por terem aceitado este convite para debater tantos graves problemas sociais que afligem o mundo hoje, vocês, que sofrem em carne própria a desigualdade e a exclusão. Obrigado ao cardeal Turkson pela sua acolhida. Obrigado, Eminência, pelo seu trabalho e pelas suas palavras. Este encontro de Movimentos Populares é um sinal, é um grande sinal: vocês vieram colocar na presença de Deus, da Igreja, dos povos, uma realidade muitas vezes silenciada. Os pobres não só padecem a injustiça, mas também lutam contra ela! Não se contentam com promessas ilusórias, desculpas ou pretextos. Também não estão esperando de braços cruzados a ajuda de ONGs, planos assistenciais ou soluções que nunca chegam ou, se chegam, chegam de maneira que vão em uma direção ou de anestesiar ou de domesticar. Isso é meio perigoso. Vocês sentem que os pobres já não esperam e querem ser protagonistas, se organizam, estudam, trabalham, reivindicam e, sobretudo, praticam essa solidariedade tão especial que existe entre os que sofrem, entre os pobres, e que a nossa civilização parece ter esquecido ou, ao menos, tem muita vontade de esquecer. Solidariedade é uma palavra que nem sempre cai bem. Eu diria que, algumas vezes, a transformamos em um palavrão, não se pode dizer; mas é uma palavra muito mais do que alguns atos de generosidade esporádicos. É pensar e agir em termos de comunidade, de prioridade de vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. Também é lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, de terra e de moradia, a negação dos direitos sociais e trabalhistas. É enfrentar os destrutivos efeitos do Império do dinheiro: os deslocamentos forçados, as migrações dolorosas, o tráfico de pessoas, a droga, a guerra, a violência e todas essas realidades que muitos de vocês sofrem e que todos somos chamados a transformar. A solidariedade, entendida em seu sentido mais profundo, é um modo de fazer história, e é isso que os movimentos populares fazem. Este encontro nosso não responde a uma ideologia. Vocês não trabalham com ideias, trabalham com realidades como as que eu mencionei e muitas outras que me contaram... têm os pés no barro, e as mãos, na carne. Têm cheiro de bairro, de povo, de luta! Queremos que se ouça a sua voz, que, em geral, se escuta pouco. Talvez porque incomoda, talvez porque o seu grito incomoda, talvez porque se tem medo da mudança que vocês reivindicam, mas, sem a sua presença, sem ir realmente às periferias, as boas propostas e projetos que frequentemente ouvimos nas conferências internacionais ficam no reino da ideia, é meu projeto. Não é possível abordar o escândalo da pobreza promovendo estratégias de contenção que unicamente tranquilizem e convertam os pobres em seres domesticados e inofensivos. Como é triste ver quando, por trás de supostas obras altruístas, se reduz o outro à passividade, se nega ele ou, pior, se escondem negócios e ambições pessoais: Jesus lhes chamaria de hipócritas. Como é lindo, ao contrário, quando vemos em movimento os Povos, sobretudo os seus membros mais pobres e os jovens. Então, sim, se sente o vento da promessa que aviva a esperança de um mundo melhor. Que esse vento se transforme em vendaval de esperança. Esse é o meu desejo. Este encontro nosso responde a um anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para os seus filhos; um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza cada vez mais longe da maioria: terra, teto e trabalho. É estranho, mas, se eu falo disso para alguns, significa que o papa é comunista. Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, teto e trabalho – isso pelo qual vocês lutam – são direitos sagrados. Reivindicar isso não é nada raro, é a doutrina social da Igreja. Vou me deter um pouco sobre cada um deles, porque vocês os escolheram como tema para este encontro. Terra. No início da criação, Deus criou o homem, guardião da sua obra, encarregando-o de cultivá-la e protegê-la. Vejo que aqui há dezenas de camponeses e camponesas, e quero felicitá-los por cuidar da terra, por cultivá-la e por fazer isso em comunidade. Preocupa-me a erradicação de tantos irmãos camponeses que sobrem o desenraizamento, e não por guerras ou desastres naturais. A apropriação de terras, o desmatamento, a apropriação da água, os agrotóxicos inadequados são alguns dos males que arrancam o homem da sua terra natal. Essa dolorosa separação, que não é só física, mas também existencial e espiritual, porque há uma relação com a terra que está pondo a comunidade rural e seu modo de vida peculiar em notória decadência e até em risco de extinção. A outra dimensão do processo já global é a fome. Quando a especulação financeira condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como qualquer mercadoria, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Isso é um verdadeiro escândalo. A fome é criminosa, a alimentação é um direito inalienável. Eu sei que alguns de vocês reivindicam uma reforma agrária para solucionar alguns desses problemas, e deixem-me dizer-lhes que, em certos países, e aqui cito o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, "a reforma agrária é, além de uma necessidade política, uma obrigação moral" (CDSI, 300). Não sou só eu que digo isso. Está no Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Por favor, continuem com a luta pela dignidade da família rural, pela água, pela vida e para que todos possam se beneficiar dos frutos da terra. Em segundo lugar, teto. Eu disse e repito: uma casa para cada família. Nunca se deve esquecer de que Jesus nasceu em um estábulo porque na hospedagem não havia lugar, que a sua família teve que abandonar o seu lar e fugir para o Egito, perseguida por Herodes. Hoje há tantas famílias sem moradia, ou porque nunca a tiveram, ou porque a perderam por diferentes motivos. Família e moradia andam de mãos dadas. Mas, além disso, um teto, para que seja um lar, tem uma dimensão comunitária: e é o bairro... e é precisamente no bairro onde se começa a construir essa grande família da humanidade, a partir do mais imediato, a partir da convivência com os vizinhos. Hoje, vivemos em imensas cidades que se mostram modernas, orgulhosas e até vaidosas. Cidades que oferecem inúmeros prazeres e bem-estar para uma minoria feliz... mas se nega o teto a milhares de vizinhos e irmãos nossos, inclusive crianças, e eles são chamados, elegantemente, de "pessoas em situação de rua". É curioso como no mundo das injustiças abundam os eufemismos. Não se dizem as palavras com a contundência, e busca-se a realidade no eufemismo. Uma pessoa, uma pessoa segregada, uma pessoa apartada, uma pessoa que está sofrendo a miséria, a fome, é uma pessoa em situação de rua: palavra elegante, não? Vocês, busquem sempre, talvez me equivoque em algum, mas, em geral, por trás de um eufemismo há um crime. Vivemos em cidades que constroem torres, centros comerciais, fazem negócios imobiliários... mas abandonam uma parte de si nas margens, nas periferias. Como dói escutar que os assentamentos pobres são marginalizados ou, pior, quer-se erradicá-los! São cruéis as imagens dos despejos forçados, dos tratores derrubando casinhas, imagens tão parecidas às da guerra. E isso se vê hoje. Vocês sabem que, nos bairros populares, onde muitos de vocês vivem, subsistem valores já esquecidos nos centros enriquecidos. Os assentamentos estão abençoados com uma rica cultura popular: ali, o espaço público não é um mero lugar de trânsito, mas uma extensão do próprio lar, um lugar para gerar vínculos com os vizinhos. Como são belas as cidades que superam a desconfiança doentia e integram os diferentes e que fazem dessa integração um novo fator de desenvolvimento. Como são lindas as cidades que, ainda no seu desenho arquitetônico, estão cheias de espaços que conectam, relacionam, favorecem o reconhecimento do outro. Por isso, nem erradicação, nem marginalização: é preciso seguir na linha da integração urbana. Essa palavra deve substituir completamente a palavra erradicação, desde já, mas também esses projetos que pretendem envernizar os bairros populares, ajeitar as periferias e maquiar as feridas sociais, em vez de curá-las, promovendo uma integração autêntica e respeitosa. É uma espécie de direito arquitetura de maquiagem, não? E vai por esse lado. Sigamos trabalhando para que todas as famílias tenham uma moradia e para que todos os bairros tenham uma infraestrutura adequada (esgoto, luz, gás, asfalto e continuo: escolas, hospitais ou salas de primeiros socorros, clube de esportes e todas as coisas que criam vínculos e que unem, acesso à saúde – já disse – e à educação e à segurança. Terceiro, trabalho. Não existe pior pobreza material – urge-me enfatizar isto –, não existe pior pobreza material do que a que não permite ganhar o pão e priva da dignidade do trabalho. O desemprego juvenil, a informalidade e a falta de direitos trabalhistas não são inevitáveis, são o resultado de uma prévia opção social, de um sistema econômico que coloca os lucros acima do homem, se o lucro é econômico, sobre a humanidade ou sobre o homem, são efeitos de uma cultura do descarte que considera o ser humano em si mesmo como um bem de consumo, que pode ser usado e depois jogado fora. Hoje, ao fenômeno da exploração e da opressão, soma-se uma nova dimensão, um matiz gráfico e duro da injustiça social; os que não podem ser integrados, os excluídos são resíduos, "sobrantes". Essa é a cultura do descarte, e sobre isso gostaria de ampliar algo que não tenho por escrito, mas que lembrei agora. Isso acontece quando, no centro de um sistema econômico, está o deus dinheiro e não o homem, a pessoa humana. Sim, no centro de todo sistema social ou econômico, tem que estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o denominador do universo. Quando a pessoa é deslocada e vem o deus dinheiro, acontecesse essa inversão de valores. E, para explicitar, lembro um ensinamento de cerca do ano 1200. Um rabino judeu explicava aos seus fiéis a história da torre de Babel e, então, contava como, para construir essa torre de Babel, era preciso fazer muito esforço, era preciso fazer os tijolos; para fazer os tijolos, era preciso fazer o barro e trazer a palha, e amassar o barro com a palha; depois, cortá-lo em quadrados; depois, secá-lo; depois, cozinhá-lo; e, quando já estavam cozidos e frios, subi-los, para ir construindo a torre. Se um tijolo caía – o tijolo era muito caro –, com todo esse trabalho, se um tijolo caía, era quase uma tragédia nacional. Aquele que o deixara cair era castigado ou suspenso, ou não sei o que lhe faziam. E se um operário caía não acontecia nada. Isso é quando a pessoa está a serviço do deus dinheiro, e isso era contado por um rabino judeu no ano 1200, explicando essas coisas horríveis. E, a respeito do descarte, também temos que estar um pouco atentos ao que acontece na nossa sociedade. Estou repetindo coisas que disse e que estão na Evangelii gaudium. Hoje em dia, descartam-se as crianças porque a taxa de natalidade em muitos países da terra diminuiu, ou se descartam as crianças porque não se ter alimentação, ou porque são mortas antes de nascerem, descarte de crianças. Descartam-se os idosos, porque, bom, não servem, não produzem. Nem crianças nem idosos produzem. Então, sistemas mais ou menos sofisticados vão os abandonando lentamente. E agora como é necessário, nesta crise, recuperar um certo equilíbrio. Estamos assistindo a um terceiro descarte muito doloroso, o descarte dos jovens. Milhões de jovens. Eu não quero dizer o dado, porque não o sei exatamente, e a que eu li parece um pouco exagerado, mas milhões de jovens descartados do trabalho, desempregados. Nos países da Europa – e estas são estatísticas muito claras –, aqui na Itália, passou um pouquinho dos 40% de jovens desempregados. Sabem o que significa 40% de jovens? Toda uma geração, anular toda uma geração para manter o equilíbrio. Em outro país da Europa, está passando os 50% e, nesse mesmo país dos 50%, no sul são 60%. São dados claros, ou seja, do descarte. Descarte de crianças, descarte de idosos, que não produzem, e temos que sacrificar uma geração de jovens, descarte de jovens, para poder manter e reequilibrar um sistema em cujo centro está o deus dinheiro, e não a pessoa humana. Apesar disso, a essa cultura de descarte, a essa cultura dos sobrantes, muitos de vocês, trabalhadores excluídos, sobrantes para esse sistema, foram inventando o seu próprio trabalho com tudo aquilo que parecia não poder dar mais de si mesmo... mas vocês, com a sua artesanalidade que Deus lhes deu, com a sua busca, com a sua solidariedade, com o seu trabalho comunitário, com a sua economia popular, conseguiram e estão conseguindo... E, deixem-me dizer isto, isso, além de trabalho, é poesia. Obrigado. Desde já, todo trabalhador, esteja ou não no sistema formal do trabalho assalariado, tem direito a uma remuneração digna, à segurança social e a uma cobertura de aposentadoria. Aqui há papeleiros, recicladores, vendedores ambulantes, costureiros, artesãos, pescadores, camponeses, construtores, mineiros, operários de empresas recuperadas, todos os tipos de cooperativados e trabalhadores de ofícios populares que estão excluídos dos direitos trabalhistas, aos quais é negada a possibilidade de se sindicalizar, que não têm uma renda adequada e estável. Hoje, quero unir a minha voz à sua e acompanhá-los na sua luta. Neste encontro, também falaram da Paz e da Ecologia. É lógico: não pode haver terra, não pode haver teto, não pode haver trabalho se não temos paz e se destruímos o planeta. São temas tão importantes que os Povos e suas organizações de base não podem deixar de debater. Não podem deixar só nas mãos dos dirigentes políticos. Todos os povos da terra, todos os homens e mulheres de boa vontade têm que levantar a voz em defesa desses dois dons preciosos: a paz e a natureza. A irmã mãe Terra, como chamava São Francisco de Assis. Há pouco tempo, eu disse, e repito, que estamos vivendo a terceira guerra mundial, mas em cotas. Há sistemas econômicos que, para sobreviver, devem fazer a guerra. Então, fabricam e vendem armas e, com isso, os balanços das economia que sacrificam o homem aos pés do ídolo do dinheiro, obviamente, ficam saneados. E não se pensa nas crianças famintas nos campos de refugiados, não se pensa nos deslocamentos forçados, não se pensa nas moradias destruídas, não se pensa, desde já, em tantas vidas ceifadas. Quanto sofrimento, quanta destruição, quanta dor. Hoje, queridos irmãos e irmãs, se levanta em todas as partes da terra, em todos os povos, em cada coração e nos movimentos populares, o grito da paz: nunca mais a guerra! Um sistema econômico centrado no deus dinheiro também precisa saquear a natureza, saquear a natureza, para sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente. As mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, o desmatamento já estão mostrando seus efeitos devastadores nos grandes cataclismos que vemos, e os que mais sofrem são vocês, os humildes, os que vivem perto das costas em moradias precárias, ou que são tão vulneráveis economicamente que, diante de um desastre natural, perdem tudo. Irmãos e irmãs, a criação não é uma propriedade da qual podemos dispor ao nosso gosto; muito menos é uma propriedade só de alguns, de poucos: a criação é um dom, é um presente, um dom maravilhoso que Deus nos deu para que cuidemos dele e o utilizemos em benefício de todos, sempre com respeito e gratidão. Talvez vocês saibam que eu estou preparando uma encíclica sobre Ecologia: tenham a certeza de que as suas preocupações estarão presentes nela. Agradeço-lhes, aproveito para lhes agradecer, pela carta que os integrantes da Via Campesina, da Federação dos Papeleiros e tantos outros irmãos me fizeram chegar sobre o assunto. Falamos da terra, de trabalho, de teto... falamos de trabalhar pela paz e cuidar da natureza... Mas por que, em vez disso, nos acostumamos a ver como se destrói o trabalho digno, se despejam tantas famílias, se expulsam os camponeses, se faz a guerra e se abusa da natureza? Porque, nesse sistema, tirou-se o homem, a pessoa humana, do centro, e substituiu-se por outra coisa. Porque se presta um culto idólatra ao dinheiro. Porque se globalizou a indiferença! Se globalizou a indiferença. O que me importa o que acontece com os outros, desde que eu defenda o que é meu? Porque o mundo se esqueceu de Deus, que é Pai; tornou-se um órfão, porque deixou Deus de lado. Alguns de vocês expressaram: esse sistema não se aguenta mais. Temos que mudá-lo, temos que voltar a levar a dignidade humana para o centro, e que, sobre esse pilar, se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos. É preciso fazer isso com coragem, mas também com inteligência. Com tenacidade, mas sem fanatismo. Com paixão, mas sem violência. E entre todos, enfrentando os conflitos sem ficar presos neles, buscando sempre resolver as tensões para alcançar um plano superior de unidade, de paz e de justiça. Os cristãos têm algo muito lindo, um guia de ação, um programa, poderíamos dizer, revolucionário. Recomendo-lhes vivamente que o leiam, que leiam as Bem-aventuranças que estão no capítulo 5 de São Mateus e 6 de São Lucas (cfr. Mt 5, 3; e Lc 6, 20) e que leiam a passagem de Mateus 25. Eu disse isso aos jovens no Rio de Janeiro. Com essas duas coisas, vocês têm o programa de ação. Sei que entre vocês há pessoas de distintas religiões, ofícios, ideias, culturas, países, continentes. Hoje, estão praticando aqui a cultura do encontro, tão diferente da xenofobia, da discriminação e da intolerância que vemos tantas vezes. Entre os excluídos, dá-se esse encontro de culturas em que o conjunto não anula a particularidade, o conjunto não anula a particularidade. Por isso eu gosto da imagem do poliedro, uma figura geométrica com muitas caras distintas. O poliedro reflete a confluência de todas as particularidades que, nele, conservam a originalidade. Nada se dissolve, nada se destrói, nada se domina, tudo se integra, tudo se integra. Hoje, vocês também estão buscando essa síntese entre o local e o global. Sei que trabalham dia após dia no próximo, no concreto, no seu território, seu bairro, seu lugar de trabalho: convido-os também a continuarem buscando essa perspectiva mais ampla, que nossos sonhos voem alto e abranjam tudo. Assim, parece-me importante essa proposta que alguns me compartilharam de que esses movimentos, essas experiências de solidariedade que crescem a partir de baixo, a partir do subsolo do planeta, confluam, estejam mais coordenadas, vão se encontrando, como vocês fizeram nestes dias. Atenção, nunca é bom espartilhar o movimento em estruturas rígidas. Por isso, eu disse encontra-se. Também não é bom tentar absorvê-lo, dirigi-lo ou dominá-lo; movimentos livres têm a sua dinâmica própria, mas, sim, devemos tentar caminhar juntos. Estamos neste salão, que é o salão do Sínodo velho. Agora há um novo. E sínodo significa precisamente "caminhar juntos": que esse seja um símbolo do processo que vocês começaram e estão levando adiante. Os movimentos populares expressam a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias, tantas vezes sequestradas por inúmeros fatores. É impossível imaginar um futuro para a sociedade sem a participação protagônica das grandes maiorias, e esse protagonismo excede os procedimentos lógicos da democracia formal. A perspectiva de um mundo da paz e da justiça duradouras nos exige superar o assistencialismo paternalista, nos exige criar novas formas de participação que inclua os movimentos populares e anime as estruturas de governo locais, nacionais e internacionais com essa torrente de energia moral que surge da incorporação dos excluídos na construção do destino comum. E isso com ânimo construtivo, sem ressentimento, com amor. Eu os acompanho de coração nesse caminho. Digamos juntos com o coração: nenhuma família sem moradia, nenhum agricultor sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá. Queridos irmãos e irmãs: sigam com a sua luta, fazem bem a todos nós. É como uma bênção de humanidade. Deixo-lhes de recordação, de presente e com a minha bênção, alguns rosários que foram fabricados por artesãos, papeleiros e trabalhadores da economia popular da América Latina. E nesse acompanhamento eu rezo por vocês, rezo com vocês e quero pedir ao nosso Pai Deus que os acompanhe e os abençoe, que os encha com o seu amor e os acompanhe no caminho, dando-lhes abundantemente essa força que nos mantém de pé: essa força é a esperança, a esperança que não desilude. Obrigado.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Carta aos irmãos e irmãs com os/as quais caminho nas estradas da vida

Marcelo de Barros – Monge Beneditino - escritor///////////////////////////////////// Nesses dias, estou passando pela Itália para lançar um livro novo que saiu aqui ("Evangelho e Instituição" - diálogo com a teologia do nosso mestre José Comblin e concluir em diálogo com um grupo bíblico italiano um comentário ecumênico ao evangelho de Marcos. Aceitei essa vinda sem calcular que precisaria estar no Brasil nesses dias e por isso sofro e me sinto em falta com o povo brasileiro. Embora eu pudesse fazer pouca coisa no meio dessa guerra insana e cruel contra as conquistas que, por causa do governo do PT e através da luta popular, os movimentos sociais e o povo conquistaram nesses doze anos, de todo modo, me sentiria mais junto de vocês nessa luta. Como já disse em outro escrito, minha avaliação do resultado das eleições de 05 de outubro (da qual participei ativamente) é que precisamos com urgência retomar os instrumentos de formação permanente das bases e poder suscitar de novo minorias abraâmicas em meio ao deserto social e político em que vivemos. E no dia 26 (eu voltarei ao Brasil para votar), votemos na Dilma, mesmo que criticamente, para logo depois retomar a luta pela reforma política e para abrir um canal permanente de diálogo entre o governo e os movimentos sociais. É preciso que o nosso voto no segundo turno das eleições, o nosso voto seja expressão de nosso compromisso com as lutas do povo, sobretudo com os mais pobres. Voltar a um governo do PSDB com sua política elitista e contra os empobrecidos é trair o caminho já feito com tantas dificuldades. Transcrevo aqui um grande trecho da carta-manifesto da irmã Eurides Oliveira, texto que me foi enviado pelo amigo Reginaldo Veloso: "O Papa Francisco afirma: “Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão. A política é uma das formas mais elevadas da caridade. Uma fé autêntica – que nunca é cômoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela”[ii] Leonardo Boff parafraseia essa afirmação, dizendo, que a Política com “P” maiúsculo, comprometida com um modelo de sociedade voltado para a inclusão, a participação e a justiça social é uma das formas mais altas de amor social. O Resultado do primeiro turno das eleições coloca-nos diante de uma hora histórico-politica decisiva. Não obstante a necessidade de uma leitura mais ampla do resultado das urnas, o que temos em curso é uma grande investida da direita conservadora do país, uma articulação de forças da elite oligárquica e patrimonialista, detentora do poder econômico e apoiada pelas mídias globais para retornar ao poder. Uma disputa não apenas de dois candidatos opositores, ou entre siglas partidárias, mas de dois Projetos de Sociedade. Aécio Neves representa o projeto do triunfo do capital sobre as pessoas, do retorno à “ditadura do mercado financeiro”, através das privatizações, da independência do banco central, do caminho livre para o narcotráfico e consequentemente do acirramento das desigualdades, da repressão aos movimentos sociais e do abortamento de todas as mudanças sociais e estruturais em curso. A volta a uma história que experimentamos recentemente, com o presidente Fernando Henrique Cardoso: desemprego, altos índices de inflação, fome, endividamento publico, privatizações, apagões, deixando abaixo da linha da pobreza mais 30 milhões de pessoas. Uma massa sobrante, à margem das condições mínimas de vida. Lembram? Dilma Rousseff, representa a continuidade e o aprimoramento do projeto de crescimento econômico e social voltado para as classes populares, comprometido com a superação das desigualdades e a soberania nacional. Nos últimos 12 anos como afirma Leonardo Boff: “Não podemos negar que milhões de pessoas viram suas aspirações atendidas e que hoje o rumo do Brasil é outro. Pode não ser do agrado das classes dominantes que foram derrotadas. De um Estado neoliberal e privatista que se alinhava ao neoliberalismo dominante, passamos a um Estado republicano, Estado que coloca a res publica, a coisa pública, o social no foco de sua ação, Daí a centralidade que o governo Lula-Dilma deu aos milhões que estavam secularmente à margem e que foram – são 36 milhões – inseridos na sociedade organizada[iii]e com melhorias concretas em suas vidas cotidianas.Nosso voto, agora pode decidir pela continuidade ou ruptura deste caminho. Como nos afirma o historiador Oscar Beozzo: “A questão de fundo em nossa sociedade é a do direito dos pequenos à vida sempre ameaçada pela abissal desigualdade de acesso aos meios de vida e pelas exíguas oportunidades abertas às grandes maiorias do andar debaixo”. A elite brasileira incomodada com as politicas de ascensão social e econômica dos mais pobres, através das políticas democráticas e dos programas sociais como o Bolsa Família, o ProUni, o PRONATEC, Luz para todos, Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos e outros quevisam a assegurar direitos cidadãos, ampliar a democratização da sociedade, combater privilégios dos grandes grupos econômicos, têm recorrido aos meios mais espúrios para descaracterizar o governo Dilma e retornar ao poder. (...) E nesta conjuntura político-eleitoral, se queremos ser fiéis à nossa missão de defender a vida e a dignidade humana, de contribuir para um país mais justo e solidário, não resta dúvida, nosso compromisso se expressa pela nossa opção politica pela da vida do povo,“contra as tramóias da direita”[iv] , e afavor da consolidação do projeto democrático popular, pelo nosso VOTO EM DILMA 13, que corresponde ao: (...) E para concluir reporto-me a Hannah Arendt para lembrar a todas e todos nós que “o poder só é efetivo enquanto a palavra e o ato não se divorciam. Quando as palavras não são vazias e os atos não são brutais. Quando as palavras não são empregadas para velar intenções, mas para revelar realidades, e os atos não são usados para violar e destruir, mas para criar novas realidades.”[v] Esse poder está agora em nossas mãos. Cabe a nós exercê-lo através do “voto ético”, consciente, livre e responsável, expressando nosso compromisso com a vida e a cidadania. Optando pelo projeto de desenvolvimento que nos permita, não obstante as dificuldades e limites, seguir superando as dificuldades, fazendo as mudanças necessárias e assim reinventando o Brasil que queremos: economicamente justo, politicamente democrático, socialmente solidário, culturalmente plural e ecologicamente sustentável". Em meus contatos com companheiros/as dos países vizinhos que compõem a nossa América Latina como pátria única bolivariana, sinto que todos/as esperam que os brasileiros não traiam o sonho de Bolívar e não votem por atrelar o Brasil ao imperialismo norte-americano como quer Aécio e o PSDB. Logo depois que soube que ganhou as eleições de domingo passado, Evo Morales dedicou sua vitória ao comandante Chávez e a Fidel Castro. Depois declarou que se, no Brasil, houvesse um recuo político à direita, seria muito difícil manter na América Latina os organismos internacionais latino-americanos que garantem nossa soberania. Isso me faz com que, mesmo com todas as críticas que tenho ao governo do PT, peço pelo nosso compromisso de cidadãos latino-americanos, nos lembremos de todos os povos da grande pátria afrolatíndia e, mesmo sabendo que não será nenhum governo que fará a revolução de que precisamos (seremos nós dos movimentos sociais retomando o processo de educação das bases), votemos em Dilma e peçamos votos para Dilma. Deus nos ilumine e nos conduza nesse caminho. Um abraço do irmão Marcelo Barros visite o blog: www.marcelobarros.com

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Conservadores criticam abertura da Igreja a homossexuais e divorciados

Importantes cardeais, como o italiano Camillo Ruini e o sul-africano Wilfrid Napier, chamaram de "perigosas" as aberturas aos divorciados que voltam a casas e aos homossexuais//////////////////////// Publicação: 14/10/2014 13:08 Cidade do Vaticano - ////////////////////////////////////////////A abertura da Igreja para os divorciados que voltam a casar, aos homossexuais e às uniões estáveis, manifestada durante o sínodo dos bispos no Vaticano, recebeu duras críticas de setores conservadores da hierarquia da Santa Sé, que não aceita as reformas. Dois importantes cardeais, o alemão Gerhard Mueller, prefeito para a Doutrina da Fé, e o americano Raymond Burke, da prefeitura para a Assignatura Apostólica, expressaram à imprensa sua oposição a tais aberturas. "Não me importa se alguns não concordam com minha opinião. Eu digo o que quero e, sobretudo, o que devo dizer como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé: a Igreja não pode reconhecer os casais homossexuais", declarou o alemão. Mueller também criticou o método de trabalho do sínodo, que reúne quase 300 bispos e cardeais de todo o mundo e que, segundo ele, foi alterado com o objetivo de "manipular a informação" sobre os debates internos, pois divulga a intervenção, mas não o nome do autor. Os dois também consideram que o documento que resume os debates a portas fechadas de 265 bispos de todo o mundo - com o título "Relatio post disceptationem" e que foi divulgado na segunda-feira (13/10) -, não reflete as diferentes posições. Outros dois importantes cardeais, o italiano Camillo Ruini e o sul-africano Wilfrid Napier, chamaram de "perigosas" as aberturas aos divorciados que voltam a casas e aos homossexuais. O diálogo aberto e sem rodeios que o papa Francisco estabeleceu dentro da Igreja para falar dos desafios representados pela transformação da família moderna é complexo e tortuoso. A admissão do valor e do amor que existe entre os casais de fato ou que optam pela relação estável antes do casamento na Igreja, assim como a abertura aos homossexuais manifestada no documento de trabalho do sínodo, virou um verdadeiro "terremoto" pastoral. "A questão homossexual nos interpela a uma reflexão séria sobre como elaborar caminhos realistas de crescimento afetivo e de maturidade humana e evangélica integrando a dimensão sexual: portanto se apresenta como um importante desafio educativo", afirma o texto, que recorda que para a Igreja "as uniões entre pessoas do mesmo sexo não podem ser equiparadas ao matrimônio entre um homem e uma mulher". Já se sabia que os religiosos mais conservadores não ficariam calados sobre temas tão delicados, mas o que fica dos debates é a moderação de um bom número de bispos, que nesta terça-feira (14/10) elogiaram o documento por "captar adequadamente" o espírito da reunião. Diante das reações, os bispos também pediram que seja ressaltado o princípio de que o casamento não apenas é indissolúvel, como pode ser feliz e fiel e evitar centrar-se principalmente nas situações familiares difíceis. Os debates prosseguem por grupos esta semana e depois a hierarquia da Igreja votará um documento final que será em seguida submetido para discussão com as "bases" em todo o mundo, antes do sínodo de outubro de 2015. http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2014/10/14/interna_mundo,452388/conservadores-criticam-abertura-da-igreja-a-homossexuais-e-divorciados.shtml

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

PAPA MUDA INTERLOCUTORES DA IGREJA

Frei Betto/////////////////////////////////////////////////////////////////// Líderes de movimentos populares de vários países terão encontro com o papa Francisco nos próximos dias 27, 28 e 29 de outubro, em Roma. Do Brasil estarão presentes João Pedro Stédile, pelo MST e Via Campesina, e representantes da Central de Movimentos Populares, Levante Popular da Juventude, Coordenação Nacional de Entidades Negras, Central Única dos Trabalhadores, Movimento de Mulheres Camponesas e um indígena do povo Terena. A carta convite é assinada por Stédile e por Juan Grabois, que representa o Movimento dos Trabalhadores Excluídos e a Confederação de Trabalhadores da Economia Popular, da Argentina. O evento é um desdobramento do simpósio As emergências dos excluídos, realizado em dezembro de 2013, no Vaticano, do qual Stédile e Grabois participaram. Denominado Encontro Mundial de Movimentos Populares, contará ainda com a participação de 30 bispos, “de distintas regiões, que mantêm fortes vínculos com o trabalho social e os movimentos populares.” O evento resulta da articulação do Conselho Pontifício de Justiça e Paz, presidido pelo cardeal ganês Peter Turkson, com diversas organizações populares. Tem como objetivos partilhar o pensamento social de Francisco; elaborar uma síntese da visão dos movimentos populares em torno das causas da crescente desigualdade social e do aumento da exclusão no mundo; refletir sobre as práticas organizativas dos movimentos populares; propor alternativas populares para “enfrentar os problemas que o capitalismo financeiro e as transnacionais impõem aos pobres, com a perspectiva de construir uma sociedade global com justiça social, a partir da realidade dos trabalhadores excluídos”, frisa o convite. Enfim, “discutir a relação dos movimentos populares com a Igreja e como avançar nesse sentido.” Entre painéis e oficinas previstas, destacam-se: “Exclusão social e desigualdade”; “Desigualdade social à luz do documento Alegria do Evangelho”; “Doutrina social da Igreja”; “Meio ambiente e mudanças climáticas”; “Movimentos pela paz”; e “Articulação Igreja e Movimentos populares”. É a primeira vez na história da Igreja que um papa convoca líderes de movimentos sociais para um encontro de três dias, e não uma simples audiência protocolar, como a que monitorei em 1980, em São Paulo, ao levar um grupo de sindicalistas, entre os quais Lula e Olívio Dutra, para um encontro com João Paulo II, na capela do colégio Santo Américo. Há, nessa iniciativa, algo inédito: outrora os papas, ao debater a conjuntura mundial, convocavam banqueiros, empresários, homens de negócio. Francisco, coerente com a sua opção pelos pobres, quer ouvir aqueles que os representam, provocando uma mudança significativa na qualidade de interlocutores da Igreja Católica. Em seu documento Alegria do Evangelho (novembro 2013), Francisco considera o capitalismo intrinsecamente injusto: “Enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos será impossível erradicar a violência. Isto não acontece apenas porque a desigualdade social provoca a reação violenta de quantos são excluídos do sistema, mas porque o sistema social e econômico é injusto na sua raiz” (59).

terça-feira, 23 de setembro de 2014

NOTA DE REPUDIO CONTRA AÇÕES VIOLENTAS DA POLÍCIA MILITAR E A OMISSÃO DO PODER JUDICIÁRIO NA REINTEGRAÇÃO DE POSSE DA AVENIDA SÃO JOÃO 601, NO DIA 16 DE SETEMBRO DE 2014 E A VIOLÊNCIA PRATICADA CONTRA OS TRABALHADORES/AS INFORMAIS E A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA!

Desde meados dos anos de 1990, diversos Movimentos de Luta pela Moradia, a População em Situação de Rua e os Trabalhadores Informais, vêm realizando uma luta sem tréguas contra a especulação imobiliária e a higienização no centro de São Paulo. Nesta guerra contra os pobres, no território do centro da cidade, a especulação imobiliária se aliou ao poder judiciário, ao poder publico e a policia militar, com a finalidade de criminalizar os movimentos populares, agredindo e tentando expulsar os Sem Teto, os Trabalhadores Informais, a População de Rua e todos os excluídos/as da região. As vítimas do modelo excludente de cidade passaram a ser tratadas como responsáveis pelo caos urbano que tem origem na falta de democratização do acesso à cidade. As elites querem um centro higienizado e sem pobres, que satisfaça exclusivamente seus direitos individuais. Assim, vêm utilizando todas as formas de violência para atingir o seu objetivo. O que ocorreu no dia 16 de setembro de 2014, no centro de São Paulo, no despejo violento do hotel Aquarius, se sucedendo aos ataques da GCM e da PM na região da “Cracolândia”, contra os usuários de drogas e a população em situação de rua, somados ao assassinato de um trabalhador ambulante por um PM na região da Lapa, são apenas mais alguns dos tristes e perversos capítulos desta agenda de higienização e massacre da população pobre. Portanto, não são fatos isolados, fazem parte da mesma matriz higienista de violência. A REINTEGRAÇÃO DE POSSE DO HOTEL AQUARIUS retrata a violência institucional e a supressão de todos os direitos constitucionais da população pobre. Uma propriedade abandonada há dez anos foi protegida pelo Poder Judiciário e pela Polícia Militar em detrimento ao direito das famílias, é o direito individual se sobrepondo ao direito coletivo, mesmo que a Constituição Federal determine o contrário. Mas não foi apenas isso: a reintegração de posse foi executada MESMO SEM OS MEIOS NECESSÁRIOS, com o uso abusivo da força policial – muitas pessoas foram agredidas, crianças e mulheres foram atingidas por bombas dentro do prédio, pelo menos dois jovens tiveram os seus braços quebrados pela PM, diversas pessoas foram alvejadas e atingidas por balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogênio e, ao final, os despejados ainda foram submetidos a tratamento desumano, com detenção sem acusação formal, sem que pudessem ir ao banheiro, beber água ou se alimentar. A porta da ocupação, num ato de violência sem tamanho, foi arrombada pelo caminhão do choque. Homens, mulheres e crianças relataram que a PM, num “corredor polonês” os agrediu dentro da ocupação. Crianças de colo - bebês, inclusive uma criança cadeirante - foram detidas e conduzidas com seus pais e avós ao 3º Distrito Policial, ficando expostos por horas, no chão do posto de gasolina na esquina da Rua Aurora com a Avenida Rio Branco. Assim, Manifestamos aqui toda nossa solidariedade à FLM – Frente de Luta Por Moradia – pela resistência. Repudiamos todos os atos de violência militar nesta desocupação, repudiamos também, os atos violentos da GCM e da PM contra os usuários de drogas na Região da Cracolândia, no dia 18/09/14, repudiamos a morte de um trabalhador informal assassinado por um PM, na região da Lapa na mesma quinta feira, dia 18/09/14. Exigimos a apuração de todos os atos de violência da PM, com punição para os culpados. Pelo fim das ações violentas da GCM. Pelo fim da criminalização dos movimentos populares e dos defensores/as de direitos humanos. Abaixo a especulação imobiliária. Exigimos um judiciário que defenda a população e não a especulação. Pela desmilitarização da PM. LUTAREMOS PELA JUSTIÇA SOCIAL COM TODAS AS NOSSAS FORÇAS E ELES NUNCA ATINGIRÃO SEUS OBJETIVOS. PODEM NOS AGREDIR, MAS CONTINUAREMOS A RESISTIR! PELO DIREITO À CIDADE, LUTA CONTINUA! Frente de Luta Pela Moradia (FLM); Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos; Central de Movimentos Populares (CMP); União dos Movimentos de Moradia de São Paulo UMM); Movimento Sem Teto do Centro – MSTC; Movimento Moradia Para Todos; Fórum dos Trabalhadores Informais; Movimento de Moradia da Região Centro; Unificação das Lutas de Cortiços; Ouvidoria da Defensoria Publica do Estado de São Paulo; Comitê Popular da Copa; Escritório Modelo da PUC; Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico; Núcleo Direito à Cidade da USP; Movimento Nacional da População de Rua; Pastoral do Povo da Rua; Movimento Nacional dos Direitos Humanos; Serviço Pastoral dos Migrantes; Consulta Popular

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Os discípulos discutiam sobre quem, dentre eles, seria o maior

18.08.14 - Brasil///////////////// Nayá Fernandes//////////////////// Adital//////////////////////////////////// Em uma das vezes que Jesus fala do templo, exalta a pedra que os pedreiros rejeitaram (Sl 117), ou seja, aquilo que, na prática não foi escolhido para fazer parte do templo. Em uma de suas visitas à sinagoga, foi expulso (Lc 4,16ss), em outra, derrubou as mesas dos cambistas no templo (Mt 21). Importante lembrar também que, no pequeno povoado de Nazaré, onde Jesus vivia, possivelmente nem tivesse escola ou grandes construções. Igualmente em Carfanaum, afirma a arqueologia moderna, havia somente pequenas casas, bem próximas umas das outras. O motivo de existir da Igreja Católica e das demais Igrejas cristãs, Jesus, foi um mestre para poucos. Historicamente ele não construiu, com suas mãos ou mesmo dos seus discípulos, nenhuma estrutura física para se reunir com seus seguidores. Eles se encontravam nas casas, nas ruas, nas praças, nos campos cultivados, nas montanhas. Os seguidores do caminho eram reconhecidos pela partilha do pão, pela leitura das escrituras e pelas ações no meio do mundo. Com o tempo, e a instituição da Igreja, sobretudo depois que o Cristianismo se tornou a religião oficial do Império, a situação começou a mudar. Ocidente e Oriente investiram em arte para construção de grandes templos e ainda hoje, a Paróquia, seja no ambiente rural ou na cidade, é sinal da presença da Igreja Católica. A estrutura física tornou-se tão importante que, em determinados contextos, sobretudo urbanos, pode significar a não formação de uma comunidade cristã. A questão do templo e suas dimensões, voltou com toda a força dentro da Igreja Católica, devido à inauguração do "III Templo de Salomão”, no Brás, centro da capital paulista. Idealizado e mantido pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), entre outras notícias, salientou-se que a estrutura recém construída é três vezes maior que a Basílica Menor de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Aparecida (SP). Alguns membros do clero levantaram a voz para desmentir o que foi anunciado e tem se publicado notas, periódicos e artigos para provar que Aparecida é maior, inclusive em tamanho, atividades, números de fiéis etc. Contradição. Recentemente, a CNBB publicou um documento em que afirma que a Paróquia é uma "rede de comunidades”, ou seja, é formada por pequenos núcleos e funciona em rede, favorecendo assim, a partilha e comunhão entre os membros. Enquanto isso, surgem as mais diversas interpretações acerca do embate. Já ouvi biblistas afirmarem que a construção do templo de Salomão é uma nova "torre de Babel” e cobrando a manifestação, por exemplo, da comunidade judaica. "Que autoridade os judeus têm para pedir aos católicos que não pronunciem o tetragrama sagrado, Javé, se eles não se manifestaram acerca deste absurdo?”, questionou. Contudo, é preciso dosar bem. Entre judeus e católicos há um diálogo histórico, enquanto a recém criada IURD tem atitudes que não a classificam como uma religião constituída, mas como uma nova expressão de fé. Além disso, tais embates podem dificultar, ainda mais, o diálogo inter-religioso e dar razão para brigas entres vizinhos de igrejas diferentes. Afinal, a preocupação com tamanho, quantidade e sucesso nunca foi a preocupação de Jesus. Ele mesmo criticou os discípulos quando esses voltaram da missão afirmando que até os demônios os obedeciam e não cedeu quando alguns, entre os dele, queriam o fazer rei (Jo 6). Certamente o Reino de Deus não está nas dimensões físicas de uma igreja e, por mais que este espaço proporcione o encontro com Deus e algumas comprinhas no shopping, a briga para provar quem é o maior, está longe de ser a briga travada pelo mestre contra aqueles que se utilizavam da religião oficial na sua época para oprimir o povo e colocar sobre eles "pesadas cargas”. Qual é o questionamento mais oportuno? Não vamos aqui falar dos males que as igrejas também provocaram, para não acalentar aqueles que se satisfazem com estas críticas. Ainda assim, não é possível fechar o olhos e não se perguntar qual o direcionamento do dízimo pago no Templo de Salomão ou quais os mecanismos de dominação utilizados para persuadir e até mesmo amedrontar os fiéis. Questionar os métodos, os absurdos, todo tipo de corrupção e falsidade da IURD e seu fundador Edir Macedo, isso sim parece ser legítimo. Mas é tão legítimo quanto o deve ser na Igreja Católica. E não só quando se refere à aspectos financeiros, mas também morais e aqui entram todos os crimes no campo sexual, religioso e usurpação do poder concedido pela própria Igreja Católica. O contrário é defesa insegura, é medo de perder território, é uma falsa proteção. Para mim, proteger a Igreja, significa lutar pelos que sofrem, pelos que não têm voz, pelos que não têm quem os defenda. Não são as paredes que devem ser defendidas das calúnias, mas as pessoas, muitas delas mortas injustamente, simplesmente porque tiveram coragem de sair dos limites físicos que as protegiam. Aí, a lista é grande. Mas a mídia pouco fala, mas deles pouco se lembra. São pequenos, simples e nunca construíram nenhum templo. http://www.adital.com.br/site/noticia_imp.asp?lang=PT&img=S&cod=81999

quarta-feira, 16 de julho de 2014

CARTA EM VISTA DAS ELEIÇÕES 2014

“Já lhe foi explicado o que é bom e o que Deus exige de você: é apenas que pratique a justiça e o direito, amar a misericórdia e, com simplicidade, caminhar com Deus” (profeta Miquéias 6, 8)//////////////////////// Queridos irmãos e irmãs da nossa arquidiocese, ////////// concluída a Copa do Mundo começa agora, com maior intensidade,a campanha eleitoral em preparação às eleições de outubro. Como pastor dessa Igreja que nós juntos constituímos, me sinto no dever de partilhar com vocês algumas preocupações e propor critérios para a nossa participação como cidadãos/ãs e como cristãos/ãs, nesse importante momento do país. Há cristãos que ainda pensam que a fé possa ser desligada da realidade concreta. Se nos desinteressamos pelo processo político, corremos o risco de deixar a Política nas mãos dos que não buscam o interesse comum. Como afirmou o papa Francisco: “Apesar de se notar uma maior participação de muitos (cristãos) nos ministérios laicais, esse compromisso (de fé) não se reflete ainda suficientemente na penetração dos valores cristãos no mundo social, político e econômico. Limita-se muitas vezes às tarefas no seio da Igreja, sem um empenho real pela aplicação do Evangelho na transformação da sociedade” (Evangelii Gaudium, n. 102). Graças a Deus, no caminho ao qual o papa Francisco nos chama, a nossa arquidiocese tem uma longa e bela caminhada que devemos honrar e aprofundar cada vez mais. Desde que, há 50 anos, Dom Helder Câmara chegou como pastor de nossa Igreja arquidiocesana, cada vez é maior o número de cristãos que descobrem que nossa vocação batismal nos chama a ser testemunhas do reino de Deus nesse mundo, pelo esforço de transformá-lo. Já nos anos 60, o papa Paulo VI ensinava que a nossa caridade deve ter uma dimensão política. Concretamente, ela se expressa no cuidado com a coisa pública e em uma educação crítica que nos ajude a compreender melhor a realidade e a discernir nela o que Deus pede de nós como cidadãos e como discípulos de Jesus. Desde a 2a Conferência do Episcopado Latino-americano em Medellín, Colômbia, (1968), a nossa Igreja se comprometeu a se colocar como serviço à causa da libertação integral de toda a humanidade e de cada pessoa por inteiro (Med 5, 15). Por isso, nossa Igreja desenvolveu diversos setores de pastoral social, cujo objetivo é servir, de maneira especial, a todos os empobrecidos do campo e da cidade. Inseridos na medida do possível, na caminhada dos movimentos sociais, queremos colaborar com a transformação da sociedade.É com esse horizonte que lhes escrevo. Tendo feito algumas observações sobre nossa motivação evangélica e espiritual a partir da qual devemos atuar, sugiro agora algumas considerações sobre o momento atual em que vivemos eproponho algumas pistas concretas de ação para a nossa participação nesse processo eleitoral e mesmo depois. 1 – Um olhar rápido sobre a realidade. Na análise da conjuntura que a CNBB ofereceu em seu site no mês de abril passado, se afirmava que, para essas próximas eleições, se descortinam duas tendências. Uma é dos que querem garantir a continuidade das conquistas sociais e daquilo que consideram serem mudanças realizadas pelo governo nessa última década. Outra é a das pessoas e candidatos que dizem lutar por mudanças profundas do país e do governo. O importante é discernir se esses políticos que propõem mudanças o fazem a serviço da melhoria de vida da maioria da população ou sepensam apenas neles e na elite social a que pertencem. Em geral, é a população que sofre no dia a dia as precárias condições dos serviços públicos de saúde, de educação e do transporte inadequado. Em nossas cidades precisamos de mudanças profundas na organização e serviços à sociedade. Não podemos nos iludir de que tais transformações dependam apenas de pessoas a serem eleitas. É a própria organização social e política do Brasil que está em questão. 2 –Critérios que poderão ser úteis para participarmos bem dessas próximas eleições: 1o – Como dizia em recente campanha educativa de várias entidades:“voto não se vende, nem se negocia” ou “voto não tem preço, tem consequência”. O voto deve ser dado conforme nossa consciência e não por qualquer outro motivo, como parentesco, apadrinhamento, interesse de emprego ou qualquer outra razão. 2o - Em um regime de eleições proporcionais como é o caso atualmente, queiramos ou não, o voto é dado em primeiro lugar ao partido do candidato e somente vai para o candidato escolhido, se o partido tiver o necessário quociente eleitoral. Essa é a legislação em vigor. Assim sendo, mais ainda, é importante que a nossa escolha seja consciente por concordarmos com o que aquele partido escolhido por nós propõe como programa para o país. 3o – É comum que as campanhas sejam feitas na base de promessas e propagandas, muitas vezes sedutoras e enganosas. Devemos sempre analisar o interesse dos meios de comunicação de massa e também a vida anterior dos candidatos em questão,para discernir se as promessas feitas agora correspondem ao que ele tem feito e se não se trata de propaganda enganosa. 4o – Nenhum candidato é perfeito ou preenche todas as condições desejáveis. Às vezes, o candidato tem propostas que nos agradam no plano da moral pessoal e institucional. No entanto, está ligado a interesses dos grandes latifundiários na concentração de terra, na oposição à Reforma Agrária e à demarcação de terras indígenas. Apresenta-se como cristão tradicional, mas não tem posição clara em relação à defesa da vida desde sua concepção até seu fim natural. Para resolver o problema da violência urbana, propõe a diminuição da idade penal, é a favor da pena de morte e assim por diante.Temos sempre de julgar no conjunto e não vendo apenas um aspecto. 5o – O cristão vive, pensa e age a partir de sua fé. A fé o conduz a trabalhar pelo bem comum. Isso requer organização e participação cidadã. É preciso discernir os partidos e candidatos a partir dos seus princípios éticos, sociais e religiosos e se estão dispostos a colaborar para o avanço. 3 – Um olhar para além das eleições de outubro Devemos participar de forma justa e lúcida nessa campanha, assim como participar corretamente dessas próximas eleições. No entanto, para não sofrermos mais decepções, é importante relativizar esse processo eleitoral e sabermos como nos conduzirmos para além desse momento. Atualmente, a parte mais sadia da sociedade brasileira e dos movimentos sociais têm consciência de que sem uma profunda Reforma Política não conseguiremos vencer a corrupção e estabelecer as bases profundas de uma sociedade mais justa e igualitária. Para isso, a CNBB, OAB e várias outras entidades da sociedade civil propõem um Projeto de Lei de Iniciativa Popular, visando elementos necessários para uma reforma política. Os movimentos sociais organizados preveem para a Semana da Pátria a realização de um Plebiscito Popular no qual o povo brasileiro será consultado se deseja a criação de uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva para a Reforma Política e Soberana. Como cristãos, devemos apoiar e participar dessas iniciativas que visam a transformação justa da sociedade e da organização do Estado. Como escreveu São Paulo: “Estejam atentos para a maneira como vocês vivem. Não sejam ingênuos, mas pessoas sensatas. Aproveitem bem o tempo, porque esses dias são maus... (Em meio a essa realidade), procurem compreender a vontade do Senhor” (Ef 5, 15 e 17). Concluo recomendando a leitura da carta dos bispos do Brasil, que se encontra no site da CNBB (www.cnbb.org.br), aprovada na última Assembleia Geral em Aparecida-SP, cujo título é: “PENSANDO O BRASIL: DESAFIOS DIANTE DAS ELEIÇÕES 2014” (Desafios da realidade sociopolítica). Deus os/as abençoe e os/as ilumine nesse caminho. Dom Antônio Fernando Saburido Arcebispo de Olinda e Recife

segunda-feira, 14 de julho de 2014

13/07/2014 10h30 - Atualizado em 13/07/2014 10h31 Papa discursa contra guerra no Oriente Médio e convoca reza pela paz Após reza dominical, Francisco citou 'trágico' conflito entre Israel e Gaza. Ele lembrou encontro com presidentes de Israel e da Autoridade Palestina. Da EFE O papa Francisco antes de começar a reza do Ângelus na Praça São Pedro, em Roma, neste domingo (13) O papa Francisco fez uma convocação neste domingo (13) a rezar pela paz no Oriente Médio. Após a tradicional reza dominical Ângelous, ele pediu a todos que tiverem responsabilidade política "em nível local ou internacional" para "não pouparem orações nem esforços" para deter o "trágico" conflito entre Israel e Gaza. O pontífice fez o pronunciamento da janela de seu apartamento, diante milhares de pessoas que abarrotaram a praça de São Pedro do Vaticano. Em seguida, Francisco pediu aos congregados para acompanhá-lo "em silêncio" em sua oração, na qual defendeu o fim do conflito. "Guerra nunca mais! Com a guerra se destrói tudo! Deus, nos dê a coragem suficiente para dar passos concretos que construam a paz... Faz-nos escutar o grito dos que pedem para transformar as armas em instrumentos de paz, nossos medos em confiança e nossas tensões em perdão", disse. Em 8 de junho, o pontífice recebeu no Vaticano os presidentes de Israel e da Autoridade Nacional Palestina, Shimon Peres e Mahmoud Abbas, respectivamente, com que protagonizou um "encontro de oração" para invocar a paz no Oriente Médio. Foi um encontro histórico no qual ambos os líderes conversaram e inclusive plantaram juntos nos Jardins Vaticanos uma oliveira, símbolo da paz. Francisco assegurou hoje "manter ainda na lembrança" o acontecimento que, segundo disse durante sua alocução, "não foi em vão". "Alguém poderá pensar que esse ato aconteceu em vão. Mas não, porque a oração nos ajuda a não nos deixar vencer pelo mal e a não nos resignarmos a que o ódio ou a violência tomem o lugar do diálogo e da reconciliação", afirmou. Ao final desse encontro sem precedentes, tanto Peres como Abbas disseram ao papa estar preparados para tentar conseguir o mais rápido possível a paz na região. No entanto, Israel e a Faixa de Gaza protagonizam durante a última semana uma escalada de violência que já matou 165 palestinos e mais de mil feridos, segundo o Ministério da Saúde em Gaza http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/papa-discursa-contra-guerra-no-oriente-medio-e-convoca-reza-pela-paz.html

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Mensagem do Papa aos padres na Quinta feira Santa

(17 de abril de 2014 by Gregorius)
Amados irmãos no sacerdócio! No Hoje de Quinta-feira Santa, em que Cristo levou o seu amor por nós até ao extremo (cf. Jo 13, 1), comemoramos o dia feliz da instituição do sacerdócio e o da nossa ordenação sacerdotal. O Senhor ungiu-nos em Cristo com óleo da alegria, e esta unção convida-nos a acolher e cuidar deste grande dom: a alegria, o júbilo sacerdotal. A alegria do sacerdote é um bem precioso tanto para si mesmo como para todo o povo fiel de Deus: do meio deste povo fiel é chamado o sacerdote para ser ungido e ao mesmo povo é enviado para ungir. Ungidos com óleo de alegria para ungir com óleo de alegria. A alegria sacerdotal tem a sua fonte no Amor do Pai, e o Senhor deseja que a alegria deste amor «esteja em nós» e «seja completa» (Jo 15, 11). Gosto de pensar na alegria contemplando Nossa Senhora: Maria é «Mãe do Evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 288), e creio não exagerar se dissermos que o sacerdote é uma pessoa muito pequena: a grandeza incomensurável do dom que nos é dado para o ministério relega-nos entre os menores dos homens. O sacerdote é o mais pobre dos homens, se Jesus não o enriquece com a sua pobreza; é o servo mais inútil, se Jesus não o trata como amigo; é o mais louco dos homens, se Jesus não o instrui pacientemente como fez com Pedro; o mais indefeso dos cristãos, se o Bom Pastor não o fortifica no meio do rebanho. Não há ninguém menor que um sacerdote deixado meramente às suas forças; por isso, a nossa oração de defesa contra toda a cilada do Maligno é a oração da nossa Mãe: sou sacerdote, porque Ele olhou com bondade para a minha pequenez (cf. Lc 1, 48). E, a partir desta pequenez, recebemos a nossa alegria. Na nossa alegria sacerdotal, encontro três características significativas: uma alegria que nos unge (sem nos tornar untuosos, sumptuosos e presunçosos), uma alegria incorruptível e uma alegria missionária que irradia para todos e todos atrai a começar, inversamente, pelos mais distantes. Uma alegria que nos unge. Quer dizer: penetrou no íntimo do nosso coração, configurou-o e fortificou-o sacramentalmente. Os sinais da liturgia da ordenação falam-nos do desejo materno que a Igreja tem de transmitir e comunicar tudo aquilo que o Senhor nos deu: a imposição das mãos, a unção com o santo Crisma, o revestir-se com os paramentos sagrados, a participação imediata na primeira Consagração… A graça enche-nos e derrama-se íntegra, abundante e plena em cada sacerdote. Ungidos até aos ossos… e a nossa alegria, que brota de dentro, é o eco desta unção. Uma alegria incorruptível. A integridade do Dom – ninguém lhe pode tirar nem acrescentar nada – é fonte incessante de alegria: uma alegria incorruptível, a propósito da qual prometeu o Senhor que ninguém no-la poderá tirar (cf. Jo 16, 22). Pode ser adormentada ou sufocada pelo pecado ou pelas preocupações da vida, mas, no fundo, permanece intacta como o tição aceso dum cepo queimado sob as cinzas, e sempre se pode renovar. Permanece sempre actual a recomendação de Paulo a Timóteo: reaviva o fogo do dom de Deus, que está em ti pela imposição das minhas mãos (cf. 2 Tm 1, 6). Uma alegria missionária. Sobre esta terceira característica, quero alongar-me mais convosco sublinhando-a de maneira especial: a alegria do sacerdote está intimamente relacionada com o povo fiel e santo de Deus, porque se trata de uma alegria eminentemente missionária. A unção ordena-se para ungir o povo fiel e santo de Deus: para baptizar e confirmar, para curar e consagrar, para abençoar, para consolar e evangelizar. E, sendo uma alegria que flui apenas quando o pastor está no meio do seu rebanho (mesmo no silêncio da oração, o pastor que adora o Pai está no meio das suas ovelhas), é uma «alegria guardada» por este mesmo rebanho. Mesmo nos momentos de tristeza, quando tudo parece entenebrecer-se e nos seduz a vertigem do isolamento, naqueles momentos apáticos e chatos que por vezes nos assaltam na vida sacerdotal (e pelos quais também eu passei), mesmo em tais momentos o povo de Deus é capaz de guardar a alegria, é capaz de proteger-te, abraçar-te, ajudar-te a abrir o coração e reencontrar uma alegria renovada. «Alegria guardada» pelo rebanho e guardada também por três irmãs que a rodeiam, protegem e defendem: irmã pobreza, irmã fidelidade e irmã obediência. A alegria sacerdotal é uma alegria que tem como irmã a pobreza. O sacerdote é pobre de alegrias meramente humanas: renunciou a tantas coisas! E, visto que é pobre – ele que tantas coisas dá aos outros –, a sua alegria deve pedi-la ao Senhor e ao povo fiel de Deus. Não deve buscá-la ele mesmo. Sabemos que o nosso povo é generosíssimo a agradecer aos sacerdotes os mínimos gestos de bênção e, de modo especial, os Sacramentos. Muitos, falando da crise de identidade sacerdotal, não têm em conta que a identidade pressupõe pertença. Não há identidade – e, consequentemente, alegria de viver – sem uma activa e empenhada pertença ao povo fiel de Deus (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 268). O sacerdote que pretende encontrar a identidade sacerdotal indagando introspectivamente na própria interioridade, talvez não encontre nada mais senão sinais que dizem «saída»: sai de ti mesmo, sai em busca de Deus na adoração, sai e dá ao teu povo aquilo que te foi confiado, e o teu povo terá o cuidado de fazer-te sentir e experimentar quem és, como te chamas, qual é a tua identidade e fazer-te-á rejubilar com aquele cem por um que o Senhor prometeu aos seus servos. Se não sais de ti mesmo, o óleo torna-se rançoso e a unção não pode ser fecunda. Sair de si mesmo requer despojar-se de si, comporta pobreza. A alegria sacerdotal é uma alegria que tem como irmã a fidelidade. Não tanto no sentido de que seremos todos «imaculados» (quem dera que o fôssemos, com a graça de Deus!), dado que somos pecadores, como sobretudo no sentido de uma fidelidade sempre nova à única Esposa, a Igreja. Aqui está a chave da fecundidade. Os filhos espirituais que o Senhor dá a cada sacerdote, aqueles que baptizou, as famílias que abençoou e ajudou a caminhar, os doentes que apoia, os jovens com quem partilha a catequese e a formação, os pobres que socorre… todos eles são esta «Esposa» que o sacerdote se sente feliz em tratar como sua predilecta e única amada e ser-lhe fiel sem cessar. É a Igreja viva, com nome e apelido, da qual o sacerdote cuida na sua paróquia ou na missão que lhe foi confiada, é essa que lhe dá alegria quando lhe é fiel, quando faz tudo o que deve fazer e deixa tudo o que deve deixar contanto que permaneça no meio das ovelhas que o Senhor lhe confiou: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 16.17). A alegria sacerdotal é uma alegria que tem como irmã a obediência. Obediência à Igreja na Hierarquia que nos dá, por assim dizer, não só o âmbito mais externo da obediência: a paróquia à qual sou enviado, as faculdades do ministério, aquele encargo particular… e ainda a união com Deus Pai, de Quem deriva toda a paternidade. Mas também a obediência à Igreja no serviço: disponibilidade e prontidão para servir a todos, sempre e da melhor maneira, à imagem de «Nossa Senhora da prontidão» (cf. Lc 1, 39: meta spoudes), que acorre a servir sua prima e está atenta à cozinha de Caná, onde falta o vinho. A disponibilidade do sacerdote faz da Igreja a Casa das portas abertas, refúgio para os pecadores, lar para aqueles que vivem na rua, casa de cura para os doentes, acampamento para os jovens, sessão de catequese para as crianças da Primeira Comunhão… Onde o povo de Deus tem um desejo ou uma necessidade, aí está o sacerdote que sabe escutar (ob-audire) e pressente um mandato amoroso de Cristo que o envia a socorrer com misericórdia tal necessidade ou a apoiar aqueles bons desejos com caridade criativa. Aquele que é chamado saiba que existe neste mundo uma alegria genuína e plena: a de ser tomado pelo povo que uma pessoa alguém ama até ao ponto de ser enviada a ele como dispensadora dos dons e das consolações de Jesus, o único Bom Pastor, que, cheio de profunda compaixão por todos os humildes e os excluídos desta terra, cansados e abatidos como ovelhas sem pastor, quis associar muitos sacerdotes ao seu ministério para, na pessoa deles, permanecer e agir Ele próprio em benefício do seu povo. Nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que faça descobrir a muitos jovens aquele ardor do coração que faz acender a alegria logo que alguém tem a feliz audácia de responder com prontidão à sua chamada. Nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que conserve o brilho jubiloso nos olhos dos recém-ordenados, que partem para «se dar a comer» pelo mundo, para consumar-se no meio do povo fiel de Deus, que exultam preparando a primeira homilia, a primeira Missa, o primeiro Baptismo, a primeira Confissão… é a alegria de poder pela primeira vez, como ungidos, partilhar – maravilhados – o tesouro do Evangelho e sentir que o povo fiel volta a ungir-te de outra maneira: com os seus pedidos, inclinando a cabeça para que tu os abençoes, apertando-te as mãos, apresentando-te aos seus filhos, intercedendo pelos seus doentes… Conserva, Senhor, nos teus sacerdotes jovens, a alegria de começar, de fazer cada coisa como nova, a alegria de consumar a vida por Ti. Nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que confirme a alegria sacerdotal daqueles que têm muitos anos de ministério. Aquela alegria que, sem desaparecer dos olhos, pousa sobre os ombros de quantos suportam o peso do ministério, aqueles sacerdotes que já tomaram o pulso ao trabalho, reúnem as suas forças e se rearmam: «tomam fôlego», como dizem os desportistas. Conserva, Senhor, a profundidade e a sábia maturidade da alegria dos sacerdotes adultos. Saibam orar como Neemias: a alegria do Senhor é a minha força (cf. Ne 8, 10). Enfim, nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que brilhe a alegria dos sacerdotes idosos, sãos ou doentes. É a alegria da Cruz, que dimana da certeza de possuir um tesouro incorruptível num vaso de barro que se vai desfazendo. Saibam estar bem em qualquer lugar, sentindo na fugacidade do tempo o sabor do eterno (Guardini). Sintam a alegria de passar a chama, a alegria de ver crescer os filhos dos filhos e de saudar, sorrindo e com mansidão, as promessas, naquela esperança que não desilude.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Em anexo, breve relato da Assembléia da CNBB Informações da Diocese (17/05/14) CNBB: À LUZ DA ASSEMBLÉIA Dom Demétrio Valentini Talvez como nunca, uma assembléia da CNBB foi tão produtiva como esta última. Tantos assuntos, aprovados com tanta convergência. Tamanha, que chegou a pairar um exagero de adesões, uma demasiada concordância, a ponto de despertar algum temor de ter deixado passar alguma palavra ou frase menos adequadas. Mas, se observamos bem certos detalhes, podemos identificar as razões desta rapidez de concordância. Os dois principais assuntos já tinham sido estudados na assembléia de 2013, sobre a Paróquia e sobre a Questão Agrária. E os outros assuntos inseridos na pauta deste ano, eram muito oportunos. Além disto, as comissões encarregadas de preparar os textos e examinar as emendas, trabalharam muito bem, inspirando confiança no plenário, e abrindo caminho para a aprovação final de cada texto. Olhando a pauta, encontramos outra razão da diversidade de assuntos. Bispos reunidos em assembléia não podiam deixar de dizer uma palavra sobre os fatos importantes que estão na agenda deste ano. Até sobre a Copa do Mundo lançaram sua mensagem. E não se omitiram de falar sobre as próximas eleições, e de expressar sua preocupação com a crescente onda de violência que assusta o Brasil. Tanto que em decorrência desta preocupação, foi lançado um “ano da paz”, em que a sociedade brasileira será convocada a enfrentar, solidariamente, os desafios contidos nesta complexa situação. A nível mundial, a CNBB acolheu a proposta, trazida pela Cáritas Brasileira, de se fazer uma campanha contra a fome no mundo, iniciativa que já conta com a firme adesão do Papa Francisco. E para encontrar logo uma maneira prática de atuar nesta campanha, ficou decidido que no próximo ano, a coleta da Campanha da Fraternidade destine cinqüenta por cento de sua arrecadação para o Haiti, país que ainda está penando para se reerguer das conseqüências do terremoto que se abateu sobre ele. A assembléia decidiu também apoiar a iniciativa popular de lei, com a proposta de uma verdadeira reforma política. Com isto, a CNBB mostra que identifica bem onde está o nascedouro dos problemas que afligem o país, enredado nos equívocos do seu sistema eleitoral. Pode ser que a sociedade não se lembre muito da Igreja. Mas a Igreja não esquece os problemas sociais. Tanto é verdade que a Campanha da Fraternidade do próximo ano, terá como tema, exatamente, a Igreja e a Sociedade. Tudo isto fez parte desta assembléia. E muito mais. Foram diversas as sessões dedicadas à partilha de preocupações e dificuldades, inerentes à missão cotidiana de cada bispo. Pois a finalidade primeira, e mais importante, da assembléia da CNBB é o convívio fraterno e a ajuda mútua entre os próprios bispos, que, por exemplo, repartem entre si os gastos das passagens, e além disto são incentivados, na medida das possibilidades de cada um, a ajudar os que provêm de dioceses mais pobres. Para fins de ação concreta da Igreja, neste ano em que já celebramos a Páscoa, e agora a assembléia da CNBB, parecem bastante claras duas referências práticas a guiar a ação pastoral: acolher as propostas do Papa Francisco, expressas sobretudo em sua exortação Evangelii Gaudium, e iniciar a renovação eclesial, começando por renovar nossas paróquias. Para que assim a Igreja se torne mais missionária, aberta para acolher, e pronta a sair de si mesma, para ir ao encontro dos que necessitam da mensagem libertadora do Evangelho. Depois de uma assembléia como esta, dá para apostar nas novas esperanças, que este tempo propício nos descortina pela frente.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O GOLPE MILITAR DE 1964 E A IGREJA CATÓLICA ENTRE APOIO E RESISTÊNCIA
O FÓRUM DE PARTICIPAÇÃO DA V CONFERÊNCIA DE APARECIDA CONVIDA PARA A MESA REDONDA: Dia: 14 de Maio de 2014 - Quarta-feira Hora: 19:00 às 21:00 hs Local: AUDITÓRIO PAULINAS - Sobreloja Livraria Paulinas- Rua Domingos de Morais, 660 – São Paulo - SP (ao lado do Metrô Ana Rosa). ENTRADA FRANCA Debatedores: Dom Angélico Sândalo Bernardino – Bispo emérito de Blumenau, SC - De Ribeirão Preto a São Paulo, na trincheira das pastorais, dos movimentos populares e do jornal “O São Paulo” - Depoimento de um protagonista. José Cardonha (Zé Legal) - Professor de Ciências Políticas da Universidade São Francisco - "Resistência Católica ao Estado Autoritário Brasileiro nos Anos de Chumbo" (1968 - 1974). José Oscar Beozzo – historiador e coordenador geral do CESEEP: Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular - Frente ao golpe, posições conflitantes na Ação Católica (JEC, JUC, JAC e JOC), MEB, AP e Episcopado. Roberval Freire – Moderador – SPM – Serviço Pastoral do Migrante Membros do Fórum de Participação da V Conferência de Aparecida: Associação de Escolas Católicas (AEC/SP), Assessoria da Comissão Ampliada das CEBs, Casa da Solidariedade da Região Ipiranga/SP, Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP), Centro de Defesa dos Direitos da Criança/SP, Conselho Indigenista Missionário (CIMI/SP), Comissão Pastoral da Terra (CPT/SP), Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo (CLASP ), Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB - Regional/SP), Pastoral da Moradia, Grito dos Excluídos, Missionários Combonianos, Pastoral da Mulher Marginalizada; Pastoral Operária, Pastoral do Menor Estado/SP, Paulinas Editora, Serviço de Pastoral ao Migrante (SPM), Jubileu Sul Brasil. INFORMAÇÕES: CESEEP Tel.: 011-3105-1680; PASTORAL OPERÁRIA: Tel.: 011- 2695 0404: SPM: Tel.: 011-2063 7064; PAULINAS: Tel.: 011-5081-9330. BLOG: